Publicado em 16/04/2018 por Solange Argenta

Seminário temático discute ciência, tecnologia e inovação

Ciência, tecnologia e inovação estiveram no centro das discussões do seminário temático da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizado no auditório da Fiocruz Pernambuco, na última sexta-feira (13/04). O encontro foi o primeiro, de um total de oito a serem realizados este ano em diversos estados, com o objetivo de discutir os pontos fundamentais das políticas públicas nessa área que serão apresentados pela SBPC aos candidatos às eleições deste ano.

Seminario tematico SBPC - RezendeConvidado a realizar a palestra de abertura do evento, o ex-ministro de Ciência e Tecnologia e professor emérito da Universidade Federal de Pernambuco, Sérgio Rezende, destacou o investimento em ciência, tecnologia e inovação (C, T & I) como determinante para o desenvolvimento econômico. Para corroborar essa afirmação, apontou uma característica comum aos oito países mais ricos do mundo – Estados Unidos, China, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Índia e Itália – nos quais 70% do Produto Interno Bruto (PIB) resulta da chamada economia do conhecimento. Rezende chamou atenção para o fato de que as mesmas oito nações se destacam com o maior número de publicações científicas (papers). “Isso não é uma coincidência, porque a ciência é um motor da prosperidade e os países que entenderam isso e investem em ciência e tecnologia têm uma posição privilegiada no mundo”, afirmou.

O palestrante mostrou também os avanços do Brasil nesta área, em especial no período de 2003 a 2010, no governo do presidente Lula. Para Rezende, nas últimas décadas, foi construído um sistema de C,T&I nacional extenso e qualificado, que já tem dado contribuições concretas para o desenvolvimento do país, embora ainda não na dimensão que ocorre em outras nações. Ele citou também o desmonte realizado nos últimos três anos, com a extinção do ministério específico desse setor e sua junção com o Ministério da Comunicação. A principal justificativa foi o corte de gastos. O ex-ministro lembrou que, em 2016, a União pagou aproximadamente 600 bilhões de reais de juros da dívida pública. Para ele, isso demonstrou a falta não de dinheiro, mas sim de prioridade.

Seminario tematico SBPC - GadelhaA fala seguinte, do economista Carlos Gadelha, coordenador das Ações de Prospecção da Fiocruz, foi convergente com as ideias apresentadas por Sérgio Rezende. Gadelha pontuou que ciência, tecnologia e bem-estar podem ser alavancas para sair da crise e não um fardo, como tem sido associado. Ele ressaltou que as sociedades que conseguem avançar na equidade “têm um sistema econômico e industrial mais desenvolvido, mais sofisticado, que pode pagar melhores salários e tratar seus cidadãos como pessoas com capacidade de gerar e entender o conhecimento, que é o grande fator estratégico para o desenvolvimento no presente”.

O economista mostrou dados que sinalizam o retorno do Brasil a um modelo de exportação do século XIX, baseada em recursos naturais e de baixa tecnologia. Ao mesmo tempo, com importação de tecnologia de média e alta complexidade. “Além da gente lamentar e muito o que está ocorrendo, o que foi feito e não teve continuidade, é preciso ter a ousadia de propor um novo projeto de desenvolvimento, que permita aproximar o campo da ciência e tecnologia ao campo da indústria e desenvolvimento social”, afirmou. Para alcançar isso, ele considera necessário ter uma visão de longo prazo e não “míope e utilitarista” da ciência. Gadelha defendeu que o sistema nacional de ciência e tecnologia deve estar articulado ao sistema de bem-estar e sustentabilidade, para que não se perca o compromisso ético e social da ciência.

Ildeu Castro2O encontro prosseguiu com mais três painéis que discutiram “CT&I nos estados”, “Pesquisa básica” e “Ciência e atuação no parlamento”. O presidente da SBPC, Ildeu de Castro Moreira, mostrou preocupação em relação ao retrocesso vivido pelo Brasil na Ciência e Tecnologia, na educação e no aspecto político mais geral, da democratização. “Estamos vendo uma escalada muito ruim tanto de violência explícita como de questões que ameaçam a própria democracia do país. Estes certamente são temas de fundo de todas as nossas discussões”, declarou. O encontro foi encerrado com a sistematização das propostas apresentadas.

Os próximos seminários temáticos ocorrerão em São Paulo, Porto Alegre, Brasília, Manaus, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Os resultados dos seminários serão apresentados e debatidos em forma de painéis na Reunião Anual da SBPC, de 22 a 28 de julho, em Maceió (AL).

Seminario tematico SBPC  - mesa

 Mesa de abertura (a partir da esquerda): Sidarta Ribeiro (Instituto Cérebro/RN); Sinval Brandão Filho (diretor da Fiocruz PE); Anísio Brasileiro (reitor da Universidade Federal de Pernambuco); Ildeu Moreira (presidente da SBPC); Lúcia Melo (secretária de Ciência e Tecnologia de Pernambuco); Marcos Lucena (secretário regional da SBPC).

 

 

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