Conferência Livre das Mulheres da Ilha de Deus discutiu Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
Realizada nesta quinta-feira (23/04), a Conferência Livre das Mulheres do Território da Ilha de Deus reuniu mais de 120 participantes na comunidade pesqueira, localizada na Zona Sul do Recife, para discutir demandas sociais, ambientais e de saúde e construir propostas que serão encaminhadas à etapa nacional da 1ª Conferência Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
O evento foi promovido pela Fiocruz Pernambuco, por meio do Laboratório de Saúde, Ambiente e Trabalho (Lasat); pela Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS); pelo Centro Educacional Popular Saber Viver; pela Estratégia Fiocruz para a Agenda 2030 (EFA2030/Fiocruz) e pela Poupança Comunitária da Ilha de Deus. com o apoio da Secretaria-Geral da Presidência da República.

A atividade integra o processo da 1ª Conferência Nacional ODS, primeira conferência realizada no Brasil com foco exclusivo na Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), que estabelece metas voltadas ao desenvolvimento sustentável, à redução das desigualdades e à promoção da justiça social.
Segundo a integrante do Lasat/Fiocruz PE Mariana Nepomuceno (à direita da foto), o encontro foi marcado pelo protagonismo das mulheres do território e pela construção coletiva de propostas a partir das vivências da própria comunidade. “Representou um momento muito importante, porque foi a realização da etapa da Conferência Livre das Mulheres do Território da Ilha de Deus. Um evento completamente protagonizado pelas mulheres, no qual elas colocaram suas demandas. Quando o território fala, a política pública deve ouvir”, destacou.
Localizada entre os bairros da Imbiribeira e do Pina, a Ilha de Deus é uma comunidade tradicional pesqueira urbana com cerca de dois mil moradores, inserida no Parque dos Manguezais Josué de Castro, uma Zona Especial de Proteção Ambiental (ZEPA). O território é formado pelo estuário dos rios Jordão, Tejipió e Pina e tem na pesca artesanal e na coleta de mariscos importantes fontes de subsistência. “A Ilha de Deus é um território pesqueiro de comunidade tradicional urbana, então é bem singular em relação a outros territórios da pesca artesanal. Por toda sua peculiaridade, sofre algumas vulnerabilidades sociais muito específicas, como, por exemplo, a demanda por atendimento à saúde especializado para as questões relacionadas ao trabalho da pesca”, explicou Mariana.
Durante a conferência, foram debatidos temas relacionados aos conflitos provocados pela especulação imobiliária, ao direito à saúde, à seguridade social e ao reconhecimento das mulheres como trabalhadoras da pesca artesanal. Entre as pautas discutidas, estiveram também demandas ligadas ao acesso a benefícios sociais, como o auxílio-defeso para as pescadoras.
As propostas foram organizadas a partir de quatro eixos temáticos: sustentabilidade ambiental; promoção da inclusão social e combate às desigualdades; inovação tecnológica para o desenvolvimento sustentável e governança participativa.
O encontro também marcou a etapa final de um processo iniciado em março, com a realização de pré-conferências no território. Ao longo dessas atividades, as mulheres construíram coletivamente as pautas prioritárias e elegeram suas representantes para participar tanto da etapa virtual quanto da etapa presencial da Conferência Nacional ODS, que será realizada de 29 de junho a 2 de julho, em Brasília (DF).








