Congresso discute as contribuições das Ciências Sociais na Saúde
Emancipação e Saúde: decolonialidade, reparação e (re)construção crítica. Foi com esse tema que, por uma semana, no período de 31 de outubro a 03 de novembro, a Fiocruz Pernambuco e a Universidade Federal de Pernambuco, acolheram o 9° Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde (CSHS). Realizado a cada três anos, o Abrasquinho - como o congresso é conhecido por seus participantes - reuniu, nessa edição, cerca de 2.300 pessoas. Foram mais de 60 atividades – entre mesas, debates, oficinas e atrações culturais - e 1.415 trabalhos científicos apresentados, demonstrando assim a importância e contribuições das Ciências Sociais para a Saúde Coletiva e, consequentemente, para o Sistema Único de Saúde.
Além de participar da organização do Congresso, pesquisadores e alunos do departamento de Saúde Coletiva da Fiocruz Pernambuco, também estiveram à frente de diversas ações durante o evento. Confira aqui
O 9º CSHS _ O primeiro dia do Congresso (01/11), começou com uma recepção oferecida pelo reitor da UFPE, Alfredo Gomes, à ministra da Saúde, Nísia Trindade, na qual estiveram presentes, entre outros, o diretor da Fiocruz Pernambuco, Pedro Miguel Neto, a secretária de saúde do Recife, Luciana Albuquerque e uma das organizadoras locais do Abrasquinho, Keila Brito. De lá, o grupo seguiu para a Concha Acústica da UFPE, onde a ministra proferiu conferência.
Com o tema “A relevância das Ciências Sociais e Humanas na reconstrução crítica da saúde brasileira”, deu início a sua fala lembrando do seu pertencimento e envolvimento com a Abrasco, bem como do fato de, pela primeira vez, uma cientista social, no seu caso, socióloga, ocupar o cargo de Ministra da Saúde do Brasil. Historicamente, apenas homens, médicos, ocuparam esse lugar. “Isso não deve ser visto como acidente de percurso, mas como uma escolha do presidente Lula, a partir de uma trajetória à frente da Fiocruz, num dos momentos mais dramáticos da nossa história, que coincidiu com um governo que teve o descuido como política”, afirmou. “Eu não sou uma ministra da Saúde não-médica, eu sou uma socióloga com atuação no campo da saúde”, concluiu.
Falando como alguém que faz parte da comunidade acadêmica e hoje ocupa o cargo de autoridade máxima na Saúde do país, Nísia elencou oito importantes desafios que a saúde coletiva do Brasil deve enfrentar para avançar nas mudanças sociais: o demográfico; o enfrentamento às desigualdades (de classe, gênero e étnico-raciais); a Ciência, Tecnologia e Inovação como matriz de desigualdades; o ambiental; o impacto das novas tecnologias de comunicação e informação; as mudanças no mundo do trabalho; a pesquisa em saúde e, por fim, o desafio democrático.
Depoimentos:
Camila Pimentel – Pesquisadora do Depto de Saúde Coletiva da Fiocruz PE e uma das organizadoras locais do 9º CSHS

“Realizar um Congresso é sempre uma oportunidade de fortalecer a produção de conhecimento da região sede e estimular/fortalecer redes de intercâmbio. Essa foi uma das diretrizes que a comissão de organização delineou para as propostas de atividades: ter diversidade de gênero, raça, regional e institucional. Também houve uma multiplicidade de proposições intersaberes, ressaltando a importância do diálogo multidisciplinar e de várias linguagens menos convencionais na comunidade cientifica. Essa força de proposições reafirmou, ao longo do Congresso, que a perspectiva das Ciências Sociais e Humanas é de fundamental importância para o fortalecimento da saúde pública brasileira, aprofundando a compreensão dos aspectos e dimensões sociais da produção da saúde”.
Pedro Miguel Neto - Diretor da Fiocruz Pernambuco.

“O 9º CSHS da Abrasco foi um sucesso! Com isso quero destacar que o que se viu e se discutiu, em uma semana de eventos, foi a agenda do presente e do futuro do país. Se o Brasil conseguir apontar políticas dirigidas aos problemas levantados, resolvendo-os, deixaremos com certeza um legado de boa qualidade e de esperança para as futuras gerações”.
Diego Francisco - Doutorando no PPGSP/Fiocruz PE

“O congresso deve ser considerado um sucesso por trazer à discussão temas fundamentais e urgentes para o campo da saúde coletiva: Trabalho em Saúde, Gênero, Raça, Tecnologias, Ações Afirmativas, Educação, Práticas Integrativas, entre outros. Sua magnitude também é mensurável ao conseguir reunir as principais pesquisadoras do Brasil e algumas da América Latina junto da participação dos Movimentos Sociais e Gestores”.
José Genison – Técnico e membro do Núcleo de Diversidade e Inclusão da Fiocruz PE

“Finalizado o congresso o saldo é positivo e entusiasmante em ver que tantos assuntos importantes foram abordados e dialogados com toda a comunidade, não somente a comunidade científica, mas também a comunidade profissional, a militância, sociedade e instituições. Nas rodas, cafés, apresentações e debates pudemos semear o que com certeza serão frutos futuros de uma saúde coletiva com uma maior participação de todos no produzir e receber saúde”.







