Discentes da Fiocruz PE são selecionadas para programa da Novartis na Suíça
A Fiocruz Pernambuco terá duas representantes no programa Next Generation Scientist (NGS), promovido pela Novartis em parceria com a Universidade da Basileia, na Suíça. As discentes do Programa de Pós-Graduação em Biociências e Biotecnologia em Saúde, Mylena Lemos dos Santos e Maria Júlia França, embarcam para o país europeu já nesta sexta-feira (29/05) para participar do estágio internacional.
Orientandas dos pesquisadores Fabio Formiga e Gabriel Wallau, respectivamente, as estudantes compõem o grupo de 18 participantes de diferentes países selecionados para integrar o programa, que oferece treinamento intensivo em pesquisa, inovação e liderança científica.
O NGS proporciona a jovens cientistas de países emergentes a oportunidade de realizar um estágio de três meses no centro de pesquisa da Novartis, com foco no desenvolvimento científico interdisciplinar. A iniciativa cobre despesas com viagem, acomodação, visto, bolsa de estudos e seguro de saúde. Desde sua criação, em 2011, o programa já beneficiou cerca de 260 estudantes de mais de 31 países, incluindo 26 brasileiros. Em 2025, outra discente da Fiocruz PE, Mariana Gabú, também orientanda de Fabio Formiga, foi selecionada para participar da iniciativa.
Mylena Lemos integra desde 2023 o grupo de pesquisa Nanociência, Biotecnologia e Saúde, onde iniciou sua trajetória como bolsista de iniciação científica sob supervisão de Fabio Formiga, pesquisador do Departamento de Imunologia. Durante o estágio na Suíça, ela realizará treinamento voltado à predição de formulações de dispersões sólidas amorfas utilizando abordagens de aprendizado de máquina.
A discente comemorou a oportunidade de vivenciar a pesquisa dentro da indústria farmacêutica ainda durante o mestrado. “Sempre foi um sonho conhecer esse universo. É uma oportunidade gigantesca de desenvolvimento pessoal e científico”, afirmou. Ela destacou ainda o simbolismo da presença de duas discentes da Fiocruz Pernambuco na edição deste ano. “Mostra que a nossa instituição pode competir com centros de pesquisa do mundo todo”, disse.
Para Fabio Formiga, a participação de estudantes da Fiocruz PE em programas internacionais fortalece a formação científica da instituição. “Estamos buscando excelência na formação dos estudantes em tecnologias de vanguarda, como a nanobiotecnologia. Esse tipo de mobilidade é muito importante para a Fiocruz, pois trata-se de um treinamento em pesquisa interdisciplinar com grande potencial de geração de conhecimento aplicado ao SUS, particularmente sobre o desenvolvimento de fármacos e vacinas”, destacou. Segundo o pesquisador, a experiência também fortalece a cooperação internacional e a formação de profissionais altamente qualificados.
Maria Júlia França, orientanda de Gabriel Wallau no Departamento de Entomologia, desenvolve atividades relacionadas a biologia molecular aplicada a mosquitos e bioinformática. Segundo a discente, sua seleção ocorreu por meio do processo aberto do programa, após incentivo de seu orientador para participar da seleção internacional.
O projeto desenvolvido pela estudante envolve atividades nos campos da entomologia e da bioinformática. “Ela atua em uma parte entomológica voltada à captura e geração de dados e depois faz análise dessas informações no Núcleo de Bioinformática”, explicou Gabriel Wallau. Para o pesquisador, a seleção de Maria Júlia representa um reconhecimento importante para o grupo de pesquisa. Segundo ele, esta é a terceira vez que a estudante é selecionada para programas de formação de excelência. “Os outros dois cursos foram realizados no Brasil, em Brasília, em cooperação com universidades do exterior. Agora ela foi selecionada para um curso internacional financiado por uma empresa, o que demonstra o potencial dela e do trabalho desenvolvido aqui”, afirmou.
Wallau destacou ainda que o treinamento permitirá à estudante aprofundar competências em análise de dados, área central para o projeto que desenvolve na Fiocruz PE. “Ela terá a oportunidade de passar três meses imersa em um curso voltado para metodologias e estratégias de análise de dados, aprendendo diretamente com especialistas da área”, disse.
O pesquisador também ressaltou que iniciativas internacionais como o NGS contribuem para ampliar a visibilidade da ciência produzida no Brasil. “Esses programas mostram que temos ciência de qualidade e alunos tão capacitados quanto estudantes de qualquer outro país. Mesmo diante das dificuldades, temos capacidade de competir em nível internacional”, afirmou.
Segundo Wallau, além da formação científica, experiências como essa fortalecem redes de colaboração e ampliam oportunidades futuras para os estudantes. “Esses cursos possibilitam criar conexões, estabelecer networking e abrir portas para futuras colaborações e até oportunidades profissionais. As pessoas passam a reconhecer você como alguém capacitado naquela área”, destacou.
O processo seletivo incluiu envio de currículo, histórico escolar, projeto de estudo, carta de intenção e carta de recomendação, além de duas etapas de entrevistas com integrantes da coordenação e mentores do programa.
“É importante sempre tentar. A gente acha que não vai conseguir, mas só sabe se tentar. Se eu não tivesse me candidatado, não estaria indo agora”, afirmou Maria Júlia. Para ela, a Fiocruz possui reconhecimento internacional capaz de abrir portas importantes para seus estudantes. “A Fiocruz fornece muitas oportunidades, mas também podemos buscar experiências fora e trazer esse conhecimento de volta para a instituição”, destacou.
As estudantes devem retornar ao Brasil no início de setembro, após a conclusão do período de treinamento na Suíça.







