EdPopRua incentiva autonomia da população em situação de rua
A Fiocruz encomendou a produção de 800 ecobags (sacolas de tecido) a uma oficina de corte e costura formada por pessoas em situação de rua, no Recife. A iniciativa, que integra o Programa Educação Popular em Saúde para o Cuidado da População em Situação de Rua (EdPopRua), representa uma ação concreta de estímulo à autonomia financeira desse público, ao combinar geração de renda, educação popular e cuidado em saúde.
A ação evidencia a importância das parcerias do EdPopRua com movimentos sociais que atuam diretamente junto à população em situação de rua, como a Pastoral do Povo da Rua. Ao reconhecer e fortalecer iniciativas já existentes nos territórios, o programa amplia seu alcance e potencializa impactos sociais, valorizando saberes populares, promovendo inclusão produtiva e contribuindo para a construção de políticas públicas mais próximas da realidade vivida nas ruas.
A oficina funciona na Igreja de Santa Cecília, no bairro da Boa Vista, área central do Recife, e reúne pessoas que ainda vivem em situação de rua e encontram ali uma oportunidade de aprendizado, trabalho e geração de renda. A parceria fortalece trajetórias individuais e coletivas, reafirmando o compromisso do EdPopRua com práticas que promovem dignidade e autonomia.
“Quando começamos, não tínhamos nem sede. As atividades aconteciam na própria igreja, que nos cedeu o espaço onde hoje funciona a oficina. Temos quatro máquinas industriais e oito domésticas. Aqui, as pessoas aprendem a fazer roupas, ecobags, panos de prato e outros produtos”, explica Silvana Brito, fonoaudióloga e voluntária da Pastoral do Povo da Rua, ligada à Arquidiocese de Olinda e Recife. Segundo ela, os cursos não têm carga horária fixa e se ajustam à frequência e à dedicação das pessoas em situação de rua. “Tudo o que é vendido é dividido igualmente: 50% vai para as costureiras e costureiros e 50% para a manutenção do projeto”, destaca.
A entrega das 800 ecobags à Fiocruz Pernambuco ocorreu na última quinta-feira (29/01), na própria Igreja de Santa Cecília, onde as peças foram produzidas. Além de gerar renda para quem confeccionou o material, as sacolas serão utilizadas nas atividades educativas do EdPopRua, criando um ciclo virtuoso no qual a população em situação de rua produz para iniciativas voltadas ao seu próprio cuidado.
Ex-aluno e atualmente monitor da oficina, Alexandre Gomes é um exemplo desse processo de transformação. “Eu vivia em situação de rua. Estou há quatro anos no projeto. Cheguei sem nunca ter pegado numa máquina de costura. Fui aprendendo, costurando primeiro em papel, e hoje costuro qualquer coisa. É muito bom saber que meu trabalho vai para quem atua com pessoas em situação de rua”, afirma.
Para a pesquisadora da Fiocruz Pernambuco e coordenadora nacional do programa, Paulette Cavalcanti, a iniciativa expressa o sentido mais profundo da educação popular. “A produção dessas sacolas é uma ação da população em situação de rua para a própria população em situação de rua. É um processo de inclusão que gera oportunidades e renda”, ressalta.
Ao articular cuidado em saúde, educação popular e estímulo à autonomia financeira, o EdPopRua reafirma seu papel como um programa que ultrapassa a formação técnica, promovendo inclusão social, fortalecimento de vínculos e novas possibilidades de vida para pessoas em situação de rua.







