Institucional

Encontro aborda cuidados em saúde mental

Publicado em 25 de Novembro de 2019

Texto: Fabíola Tavares - Asfoc PE

As violências autoprovocadas e sua relação junto aos cuidados em saúde mental foram um dos temas abordados no I Encontro de Cuidado em Saúde Mental e Promoção do Bem-Estar, realizado na manhã da sexta-feira (22/11), no auditório da Fiocruz Pernambuco. No evento, motivado pelo sofrimento psíquico vivido pelos estudantes de pós-graduações em razão de estudos e prazos de trabalhos, em conciliação com vida pessoal e profissional, também foi tratado sobre as práticas integrativas e complementares em saúde (PICS). Elas foram apontadas como contraponto ao processo de medicalização ocorrido nos casos de aflição mental. As PICS propõem um modelo de cuidado humanizado, focado na saúde e não na doença, no qual o homem é visto como um ser integral. Os estudantes de primeiro ano da Residência Multiprofissional em Saúde Coletiva da Fiocruz PE organizaram o encontro com apoio da Vice-direção de Ensino e Informação Científica, do Departamento de Saúde Coletiva (Nesc) e da coordenação local do Sindicato dos Trabalhadores da Fiocruz, a Asfoc Pernambuco.

 

De acordo com o técnico de vigilância da Secretária de Saúde do Recife Henrique Landim, um dos palestrantes do evento, as violências autoprovocadas estão associadas a fatores de origem social, psicológica e cultural, sendo desencadeadas por estresse, uso abusivo do álcool e/ou outras drogas, depressão e transtornos mentais, entre outras questões. No Recife, de 2010 a 2018, foram registrados, em média, por ano, 480 casos de violência autoprovocadas, fora os casos subnotificados. A faixa etária de maior ocorrência é entre os adultos jovens (entre 20 e 29 anos), sendo mais comum entre pessoas do sexo feminino (71%). Por ocupação, a autoviolência acontece mais entre os estudantes (63,7%) e depois entre as donas de casa (24.9%).

 

Para Bárbara Gaião, da comissão de organizadora do encontro, há a necessidade de refletir sobre o assunto e ao falar de saúde mental é preciso pensar em prevenção também. “Queremos desnaturalizar o adoecimento (do estudante) e é preciso construir práticas de cuidado. As PICS entram como movimento oposto a medicalização”, avaliou a aluna. Ela e os demais colegas da organização decidiram pela elaboração de uma carta com direcionamentos. O documento será encaminhado à Direção da Fiocruz Pernambuco visando contribuir para a diminuição do sofrimento dos estudantes.

 

Os demais palestrantes do I Encontro de Cuidado em Saúde Mental e Promoção do Bem-Estar foram a pesquisadora da Fiocruz PE e coordenadora executiva do Observatório Nacional de Saberes e Práticas Tradicionais, Integrativas e Complementares em Saúde (ObservaPICS), Islândia Carvalho e o coordenador das práticas integrativas e complementares em saúde do Recife, Nicolas Alves.

 

A tarde, alunos e servidores da Fiocruz Pernambuco puderam participar de atividades de reiki, auriculoterapia, shiatsu, biodança, orientações homeopáticas, terapia comunitária integrativa e meditação nas dependências da instituição.