Pós-graduação profissional da Fiocruz PE celebra duas décadas de realizações
Em um clima de muita emoção, memórias e reflexões, o Programa de Pós-Graduação Profissional em Saúde Pública (PPGSP-MP) da Fiocruz Pernambuco comemorou hoje (19/11) seus vinte anos de existência. Parceiros institucionais, gestores de saúde, docentes, discentes, egressos e seus familiares se reuniram - no auditório da instituição e por meio da transmissão online - para compartilhar momentos de confraternização, homenagens e reconhecimento da trajetória e impacto do programa.
O encontro foi iniciado pela vice-presidente adjunta de Ensino, Informação e Comunicação (VPEIC) da Fiocruz, Eduarda Cesse, de maneira remota. Ela lembrou a própria participação no programa profissional desde sua origem, destacando o quanto considera significativo comemorar duas décadas desse programa que forma tantos profissionais para o Sistema Único de Saúde.
O diretor da Fiocruz PE, Pedro Miguel Neto, ao compor a mesa de abertura com a vice-diretora de Ensino da Fiocruz PE, Sheilla Oliveira e a Coordenação do PPGSPMP, afirmou que “vinte anos de uma boa proposta devem ser comemorados todo dia”. Apesar de reconhecer esse sucesso, Pedro Miguel fez questão de pontuar a necessidade de avançar mais na oferta de cursos de mestrado e doutorado profissionais, agora com foco voltado para a área de Biociências e Biotecnologia em Saúde, de forma a atender a demandas existentes em outras instituições ligadas ao SUS, como a Hemobrás.
A cerimônia prosseguiu com a apresentação da egressa do Doutorado Profissional em Saúde Pública e vice-coordenadora da Educação à Distância (EaD) da Fiocruz PE, Ana Paula do Nascimento (foto), sobre aspectos de sua tese “Análise dos usos e influências dos produtos do conhecimento em um Mestrado Profissional em Saúde Pública no estado de Pernambuco”. Seus resultados apontaram que o curso oferecido na Fiocruz PE tem um impacto positivo para o SUS no estado. Em suas conclusões ela apontou que “a principal contribuição do curso é na formação do sujeito no contexto da formação humana para o SUS, que transcende a dimensão técnico científica, incorporando aspectos éticos, políticos, culturais e sociais”. “Trata-se de um curso potente e considerado estratégico para a melhoria dos serviços oferecidos pelo SUS em Pernambuco, no que se refere a inovação e gestão de serviços”, avaliou Ana Paula.
Em seguida, a conferência “Parcerias institucionais – O que aprendemos ao longo do tempo?” reuniu representantes do Ministério da Saúde, da Secretaria de Saúde de Pernambuco, do Ministério Público de Pernambuco e da Fundação Oswaldo Cruz - parceiros do programa profissional ao longo dos seus vinte anos de existência - para um diálogo conduzido pela vice-coordenadora do PPGSP-MP, Sydia Oliveira. “Mais do que um programa de pós-graduação, ele é um espaço de produção coletiva de conhecimento, de fortalecimento do SUS e de formação de sujeitos comprometidos com a transformação da saúde no Brasil”, declarou Sydia, que costurou as falas das demais participantes da mesa a partir de etapas e conquistas do programa profissional.
A partir da esquerda: Thaís Pansani, coordenadora de Desenvolvimento Estratégico de Pessoas do Ministério da Saúde; Célia Borges, diretora da Escola Corporativa de Governo em Saúde Pública de PE; Carla Kaufmann, coordenadora da Escola Corporativa da Fiocruz; Sydia Oliveira, vice-coordenadora do PPGSP-MP; Garibaldi Gurgel, coordenador do PPGSP-MP; Lívia Mello, assessora especial do gabinete da SEGETS/MS; Irene Cardoso, promotora de justiça do Ministério Público de Pernambuco.
A conclusão das discussões foi feita pelo coordenador Garibaldi Gurgel, com uma análise sobre o futuro do programa. “A gente vai precisar retomar a Constituição de 88 e fazer tudo que não fizemos durante todos os 30 anos que passamos dentro de um guarda-chuva que a gente chama de neoliberal. Nessa perspectiva, a gente vai superar o que foi a Nova República”, declarou Garibaldi. Um período conturbado onde, de acordo com o coordenador, foram desafiadas a democracia, a globalização, o direito e surgiu algo novo: os negacionistas. “Esse tipo de mundo pós-pandêmico vai exigir de nós uma capacidade muito superior de análise desse quadro complexo para que possamos formar pessoas para o SUS”, completou.
O encerramento do encontro foi marcado pela entrega das premiações alusivas ao pesquisador da Fiocruz PE Wayner Vieira de Souza, falecido em setembro, que foi fundador do programa profissional e seu primeiro coordenador.
Foram destacados os autores dos trabalhos e seus orientadores:
Melhor Dissertação: Bruno Ishigami, orientadora Aline do Monte Gurgel
Melhor Tese: Luiz Antonio Ferreira, orientadora Idê Gurgel
Melhor Produto Técnico e Tecnológico (PTT): Letícia Katz, orientadora Ana Lúcia Vasconcelos
Menções Honrosas:
Dissertação: Irene Cardoso, orientador Rafael Moreira
Tese: Célia Borges, orientadora Kátia Medeiros
Produto Técnico e Tecnológico: Railson Nóbrega (participação remota), orientadora Sydia Oliveira

Assista ao evento na íntegra: https://www.youtube.com/live/G1-bZwWA3TU?si=aRKuDQT3HkHpDgxE
Sobre o Programa de Pós-Graduação Profissional em Saúde Pública da Fiocruz PE: Um marco importante na formação de quadros estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS), o Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública – Modalidade Profissional (PPGSP-MP) foi criado em 2005 e aprovado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). O programa nasceu com a missão de formar profissionais capazes de transformar a prática em saúde pública, unindo produção científica, inovação e intervenção direta nos serviços.
Desde sua criação, o PPGSP-MP consolidou-se como uma referência na formação de mestres e doutores profissionais comprometidos com a gestão e o fortalecimento do SUS. Com uma proposta voltada à prática e à resolução de problemas concretos, o programa valoriza a integração ensino-serviço e a construção de produtos técnicos aplicáveis à realidade dos territórios. Ao longo de 20 anos, sua trajetória expressa o compromisso institucional da Fiocruz com a qualificação de profissionais de saúde e a indução de políticas públicas baseadas em evidências.
Os números reforçam essa relevância. De 2005 a 2025, o programa profissional do Aggeu Magalhães estruturou 15 turmas regulares, com 246 egressos distribuídos em diferentes regiões do país. As turmas foram viabilizadas por meio de parcerias institucionais e múltiplas fontes de financiamento, que incluem a Fiocruz com apoio da escola corporativa, a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES/PE), o Ministério da Saúde, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), e o VigilabSaúde, entre outros.
A primeira turma, em 2005, contou com apoio da Fiocruz, formando 13 profissionais. Nos anos seguintes, destacam-se as turmas de Recife (2008, 2010, 2011, 2012, 2015, 2017 e 2018), Brasília (2008 e 2025), Manaus (2019) e Ceará (2020), além de iniciativas temáticas e interinstitucionais, como a turma sobre tuberculose (2014) e a turma específica com o Ministério Público de Pernambuco (2020). Em 2025, o programa atinge simbolicamente a 15ª turma, sediada em Brasília, com financiamento do Ministério da Saúde, reafirmando a continuidade e o alcance nacional da formação.
A consolidação do sucesso do mestrado profissional abriu caminho para uma nova etapa na formação avançada: o Doutorado Profissional em Saúde Pública, implantado em 2019 e pioneiro no país. Em sua curta trajetória, o doutorado já formou 25 doutores, distribuídos em três turmas, a primeira com apoio da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), a segunda financiada pela própria Fiocruz, e a terceira, atualmente em andamento, financiada pelo Ministério da Saúde. Esse avanço representa um marco na formação de lideranças técnicas e científicas capazes de promover inovações em gestão, planejamento e avaliação de políticas públicas de saúde.
Com 246 profissionais formados no mestrado e 25 no doutorado, o PPGSP-MP do Aggeu Magalhães tem contribuído decisivamente para a melhoria da gestão e da assistência no SUS. Os produtos técnicos desenvolvidos, como sistemas de monitoramento, instrumentos de avaliação, guias de vigilância e metodologias de capacitação, entre outros, têm sido incorporados por secretarias de saúde e instituições públicas, evidenciando o impacto concreto do programa na realidade sanitária brasileira.







