Institucional

Rede de comitês ambientais nas periferias é lançada na Fiocruz PE

Publicado em 27 de Abril de 2026

Com a participação de representantes institucionais, movimentos sociais, agentes populares ambientais, professores, estudantes e trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS), o projeto “Mudanças Climáticas, Saúde e Alimentação – Rede de Comitês Populares Ambientais em Territórios das Periferias” foi lançado nesta segunda-feira (27), na Fiocruz Pernambuco. Uma iniciativa que busca fortalecer comunidades periféricas por meio da formação de agentes populares e da criação de espaços coletivos de mobilização social voltados à construção de Territórios Saudáveis e Sustentáveis.

 

Desenvolvido de forma coletiva, o projeto é coordenado pela Fiocruz Pernambuco, em parceria com o Movimento Mãos Solidárias, a Universidade de Pernambuco (UPE) e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB). A iniciativa prevê a formação de uma Rede de Comitês Populares Ambientais em Pernambuco e na Paraíba, articulando educação popular em saúde, a integração entre ensino, serviços e comunidades, além de fortalecer a participação social no enfrentamento dos impactos da crise climática na saúde e na segurança alimentar, no âmbito do SUS.

 

A diretora do Departamento de Gestão da Educação na Saúde (DEGES) do Ministério da Saúde, Lívia Milena Barbosa, destacou que o financiamento do projeto reforça a necessidade de inserir o debate ambiental na formação dos futuros profissionais do SUS. “Esse debate ambiental não pode sair do SUS nem da formação dos futuros trabalhadores desse sistema, que hoje são estudantes dentro das universidades. Estamos formando agentes populares ambientais que vão constituir comitês populares ambientais nas periferias da cidade para que a gente comece a trabalhar a questão ambiental não apenas quando ela se expressa de forma violenta, através dos desastres, mas para que possamos prevenir esses desastres a partir de processos educativos de preservação e convivência com o ambiente”, destacou.

 

De acordo com a pesquisadora da Fiocruz Pernambuco, Idê Gurgel, a proposta fortalece a relação entre clima, saúde e soberania alimentar, com forte conexão com a agroecologia e a missão institucional da Fundação. “Esse processo de formação de agentes populares ambientais é extremamente importante. Ele tem como foco a questão ambiental, particularmente a relação entre clima, saúde, soberania e segurança alimentar. Isso é fundamental em um mundo em grandes transformações, principalmente agora que o clima entrou de fato na agenda política prioritária de diversos países”, destacou.

 

 

 

Idê lembrou a ampla experiência da Fiocruz PE em processos formativos interprofissionais, metodologias participativas e articulação com movimentos sociais, conselhos de políticas públicas e gestores municipais e estaduais, fortalecendo a efetividade da proposta. “A constituição dessa rede de comitês populares vai ser fundamental e ter a Fiocruz assumindo a coordenação desse processo é algo fantástico, porque conseguimos colocar em prática nossa missão institucional de formar pessoas, qualificar lideranças comunitárias e fortalecer os territórios. Nesse momento de grandes transformações climáticas e impactos diretos na vida e na saúde das pessoas, esse processo formativo será muito rico e extremamente necessário”, afirmou.

 

Além do lançamento, a programação contou com o debate “Mudanças Climáticas e Saúde nas Periferias”, ministrado pela discente em Saúde Pública da Fiocruz PE, Alyne Nascimento, ampliando a discussão sobre os impactos da crise climática nos contextos urbanos periféricos e suas implicações para a saúde pública.

 

“Essa casa tem um compromisso com a ciência cidadã, um compromisso em fazer ciência com processos formativos, junto com os territórios, compreendendo os contextos e também encontrando em conjunto soluções”, destacou a coordenadora de Ambiente, Atenção e Promoção à Saúde, Naíde Teodósio, que esteve representando a Direção da Fiocruz Pernambuco no evento. 

 

A iniciativa busca transformar diretrizes da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS) e da Política Nacional de Educação Popular em Saúde (PNEPS-SUS) em ações concretas nos territórios, incentivando o desenvolvimento de tecnologias sociais climaticamente inteligentes e socialmente justas.

 

Atividades iniciais do projeto

A primeira atividade do projeto foi o Curso Livre de Formação de Monitores(as) para Construção de Comitês Ambientais Populares em Territórios Periféricos, realizado entre os dias 19 e 21 de março de 2026, no Centro de Formação da Cooperativa Primavesi, localizado no município de Moreno, em Pernambuco.

 

Estruturado na perspectiva de formação de formadores, o curso qualificou estudantes de graduação e pós-graduação de diferentes áreas do conhecimento, provenientes de instituições de ensino superior e centros de pesquisa, para atuarem como monitores no processo de mobilização e organização dos futuros Comitês Populares Ambientais.

 

Ao todo, foram capacitados 27 monitores para apoiar a criação de 135 Comitês Populares em, no mínimo, dois estados da região Nordeste, formando um total de 270 Agentes Populares Ambientais. Durante o evento realizado nesta data, esses 27 monitores receberam os certificados de conclusão da formação, marcando o início de uma nova etapa do projeto. 

 

Para Paulo Mansan, coordenador nacional do Movimento Mãos Solidárias, a proposta é construir uma rede capaz de debater e agir diretamente nos territórios. “A grande ideia junto com o Mãos, com a Fiocruz, com o MST, é criarmos uma grande rede de comitês populares ambientais que debatam as periferias, o meio ambiente, a soberania alimentar e o impacto das mudanças climáticas na vida do povo. O que estamos fazendo é preparar pessoas com condições de fazer esse debate e de melhorar a vida da sua comunidade, plantando árvore, debatendo para onde vão os resíduos sólidos, discutindo sobre a água, o saneamento, enfim, os impactos das mudanças climáticas na vida, na saúde e na comida do povo”, explicou.

 

A professora Gabriela Barreto, da Universidade Federal da Paraíba, destacou a participação da UFPB no projeto e a importância da experiência formativa para os estudantes. “A Paraíba vem com nove monitores, nove estudantes de graduação, que vão estar nesse processo de formação dos comitês populares na periferia urbana de João Pessoa durante os próximos meses. Estamos muito felizes porque é muito importante para a formação desses estudantes da área da saúde e da educação se envolverem com a luta das periferias urbanas, pelas questões ambientais e pelos vários problemas que temos vivenciado”, afirmou.

 

 

A execução do projeto contará ainda com o apoio da Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde (Fiotec), responsável pela gestão administrativa e financeira de iniciativas desenvolvidas no âmbito da Fiocruz.

 

Ao estruturar uma rede regional de articulação comunitária e institucional, o projeto reafirma o compromisso com a promoção da equidade, da participação social e da sustentabilidade, contribuindo para o fortalecimento de políticas públicas integradas de saúde e para o enfrentamento da emergência climática no Nordeste brasileiro.